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Kadri Mälk

Kadri Mälk é uma joalheira estoniana que vive em Tallinn e é professora e coordenadora do curso de joalharia na Academia de Artes da Estónia.

Antes de se iniciar na joalharia estudou pintura e apenas depois investiu na arte de criar joias. Teria 28 ou 29 anos quando se graduou. Deu origem a uma geração cujo trabalho é forte, individual e definitivamente estoniano. Permaneceu como artista freelancer e trabalhou sozinha por cerca de nove anos. Enquanto isso, foi convidada para ensinar.

Inicialmente, era apenas uma pequena carga de trabalho, acontecendo uma vez por semana. Gostava de ficar no seu atelier e de trabalhar num horário próprio em liberdade. Não tinha que contar com datas de entrega. Era uma espécie de vida selvagem, um estilo de vida que realmente apreciava.

Após a graduação começou alguns estudos em cantaria. O primeiro decorreu em São Petersburgo, numa enorme fábrica de corte de pedras que recebia matérias-primas de alta qualidade da Sibéria. Foi então que começou a estudar geologia na Finlândia, no Lahti Design Institute, por dois anos e, por algum tempo, na Alemanha, com Bernd Munsteiner.

A obra de Kadri Mälk é sombria, poética e com uma voz muito própria. Utilizando materiais de joalharia tradicional como o ouro, a prata, as pedras preciosas, jatos e peles cria joias cujas fragrâncias melancólicas permeiam todo a sua obra.

Aprecia a hora do crepúsculo pelas suas cores obscurecidas e pelos tons que emana. Essas cores aparecem representadas nas suas peças de joalharia, daí que sejam habitualmente escuras, como se pode observar nas imagens que ilustram este artigo. Kadri Mälk pinta com a cor preta – em todas as suas tonalidades possíveis, indo do negro aos antracites e roxos. A sua obra identifica-se com uma poética ligada a essa penumbra que a inspira. As peças são quase sempre adornadas por pérolas ou por pedras de cores acentuadas. Cria muitas vezes broches, embora na sua obra também surjam colares e, por vezes, anéis.

Cria sempre peças não figurativas. Cada peça tem o seu próprio título. Estes ajudam à leitura do sentido de cada peça de joalharia, embora muitas vezes haja que recorrer à tradução do estoniano para a língua que falamos. Representam metaforicamente duendes e figuras que povoaram o entardecer.

Kadri Mälk expõem regularmente em muitos países de Europa e nos Estados Unidos. Tem vindo a ser curadora de várias exposições de joalheiros Estonianos, associando por vezes artistas de outros países, com mostras em Tallinn e noutras cidades da Europa, em museus, galerias, igrejas e cemitérios.

Ana Campos nasceu no Porto, Portugal, em 1953. É joalheira e dedica-se, também, à investigação nesta área. No campo do ensino, foi professora de projeto e de teorias da arte e do design da joalharia contemporânea. Até 2013, foi diretora do ramo artes/joalharia e coordenadora da pós-graduação em design de joalharia da ESAD – Escola Superior de Artes e Design, em Matosinhos, Portugal. Tem-se dedicado a curadoria e produção de exposições de joalharia nacionais e internacionais. Licenciou-se em Design de Comunicação na FBAUP. Estudou joalharia no Ar.Co, Lisboa e na Escola Massana, Barcelona, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Realizou uma pós-graduação em Relações Interculturais, pela Universidade Aberta, Porto, que conduziu ao mestrado na área de Antropologia Visual, cuja dissertação se intitula "Cel i Mar: Ramón Puig, actor num novo cenário da joalharia". A orientação foi de José Ribeiro. Atualmente, é doutorada em filosofia na Universidad Autónoma de Barcelona. Terminou o doutoramento em 2014, com orientação de Gerard Vilar. Desenvolveu uma tese intitulada: "La joyería contemporánea como arte: un estudio filosófico".

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