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Do you speak jewellery? 20 anos da Galeria Reverso

A Galeria Reverso festeja vinte anos em 2018 e é dirigida por Paula Crespo, uma joalheira há muito dedicada à joalharia contemporânea. É neste espaço onde tem desenvolvido uma atividade profissional intensa, organizando exposições de inúmeros joalheiros portugueses e de várias outras nacionalidades, como se pode ver no respetivo site.

A comemoração dos 20 anos da Galeria Reverso decorreu no dia 20 de Janeiro com a apresentação do programa para 2018 e a realização do Talk ShowDo you speak jewellery?”, título extraído do livro homónimo de Manuel Vilhena publicado há 20 anos. Foi uma conversa com ampla assistência que incluiu Marina Elenskaya – cofundadora da revista Current Obsession – Pedro Sequeira, joalheiro e artista plástico, Manuel Vilhena e Olga Noronha, ambos joalheiros, com moderação de Marta Costa Reis, atual colaboradora da galeria Reverso.

Durante 2018, a galeria vai apresentar uma coleção de exposições, com mostra inicial de Manuel Vilhena e Birgit Laken, no dia 20 de Fevereiro. Segue-se, a 20 de Março, a exposição de Castello Hansen e Kaori Juzu. O restante programa de eventos pode ser consultado aqui e conta com a participação de nomes como: Claude Schmitz, Masako Hamaguchi, Edu Tarin, Philip Sajet, Marc Monzó, Leonor Hipólito, entre muitos outros.

Estas exposições serão acompanhadas por um projeto experimental, o Window Project, que apresentará todos os meses um artista português ou residente em Portugal numa das montras da galeria.

Licenciada em Letras, com formação em joalharia pela Ar.Co, Paula Crespo iniciou a sua atividade de galerista em Lisboa, na pequena galeria-atelier Artefacto3, conjuntamente com Tereza Seabra e Alexandra Serpa Pimentel. Um dos projectos que Paula Crespo ressalta dessa época, e com o qual inauguraram o novo espaço na rua da Rosa, é a exposição Ilegítimos, em 1993, para a qual convidou vários artistas plásticos portugueses, na altura ainda jovens e hoje muito reconhecidos (como Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis ou José Pedro Croft, para nomear apenas alguns), a desenharem jóias que a Artefacto3 produziu. Para além das joias de artista, foi elaborado um catálogo com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, Secretaria de Estado da Cultura e Fundação Luso-Americana.

Dez anos depois, Paula Crespo considerou ser importante ter um espaço independente e foi assim que nasceu o espaço da atual galeria Reverso, na rua da Esperança, em Santos, Lisboa.

Atualmente a representar cerca de 60 artistas nacionais e internacionais, o critério na escolha dos mesmos é feito com base no trabalho, mas Paula Crespo considera muito importante a relação que depois se estabelece entre ela e o/a artista. Ou seja, depois do gosto pela obra, a relação pessoal ajuda no trabalho e com os anos, muitas são as relações que se tornaram fortes amizades.

O mesmo acontece com os clientes e os coleccionadores. Além dos clientes portugueses, neste momento são vários os estrangeiros que, sempre que vêm a Portugal, fazem uma visita à Reverso. São clientes já amigos que recebem regularmente os convites e vêm à procura das últimas novidades ou de qualquer peça que viram no site e gostaram. Há um clima de confiança que é muito importante para quem quer adquirir este tipo de obras.

Já os colecionadores de joalharia contemporânea são poucos. Em termos de investimento ainda não é uma área muito apetecível, mas Paula Crespo acredita que em breve a situação irá mudar, quando se constituir uma colecção que dê visibilidade e credibilidade à joalharia contemporânea, ao nível do que acontece noutros países por todo o mundo.

Há muitos joalheiros que se propõem expor porque precisam de mostrar e vender. Contudo, Portugal é um mercado pequeno nesta como noutras áreas, embora a joalharia contemporânea seja, em todo o mundo, um sector de nicho. Vender obras de arte de joalharia é trabalhoso e demora tempo entre uma primeira abordagem ao trabalho de um artista e a aquisição de uma obra. É, por isso, importante haver oportunidades de mostrar o trabalho numa exposição e, neste sentido, Paula Crespo insiste que é urgente fazer uma bienal ou uma trienal que se mantenha ao longo do tempo e que estimule os nossos artistas e o público. E isto é importante para os joalheiros e para as galerias.

Ana Campos nasceu no Porto, Portugal, em 1953. É joalheira e dedica-se, também, à investigação nesta área. No campo do ensino, foi professora de projeto e de teorias da arte e do design da joalharia contemporânea. Até 2013, foi diretora do ramo artes/joalharia e coordenadora da pós-graduação em design de joalharia da ESAD – Escola Superior de Artes e Design, em Matosinhos, Portugal. Tem-se dedicado a curadoria e produção de exposições de joalharia nacionais e internacionais. Licenciou-se em Design de Comunicação na FBAUP. Estudou joalharia no Ar.Co, Lisboa e na Escola Massana, Barcelona, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Realizou uma pós-graduação em Relações Interculturais, pela Universidade Aberta, Porto, que conduziu ao mestrado na área de Antropologia Visual, cuja dissertação se intitula "Cel i Mar: Ramón Puig, actor num novo cenário da joalharia". A orientação foi de José Ribeiro. Atualmente, é doutorada em filosofia na Universidad Autónoma de Barcelona. Terminou o doutoramento em 2014, com orientação de Gerard Vilar. Desenvolveu uma tese intitulada: "La joyería contemporánea como arte: un estudio filosófico".

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