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“Todas as Histórias”, de Vasco Araújo

Já foi referido nesta plataforma que o desenho é tido como o parente pobre da arte. Considerado como meio para atingir um fim – geralmente pintura ou escultura; noutros casos, documento para construção de edifícios –, o desenho raramente atinge o estatuto de prática artística em si mesma. Na pintura, desenham-se posições e anotações básicas; na escultura, o desenho é ensaio de gestos e registo matemático de proporções; na arquitetura, são desenhados cortes, plantas e alçados, mas apenas como interesse promocional, explicativo ou documental.

Paralelamente, e do ponto de vista histórico, quando a arte cruzava outras disciplinas como a ciência, o desenho assumia conotações pedagógicas, académicas e de reflexão. Relembram-se, para este efeito, os esquiços e esboços – variantes gráficas do desenho, conforme a rapidez de execução e o detalhe visual e compositivo – que Leonardo da Vinci elaborou de estudos anatómicos e dissecações de cadáveres. No entanto, e apesar de ser da maior importância, este era um dispositivo que não tinha à partida valor artístico, remetendo-se para os confins de um baú, num caderno puído, recheado de informações externas.

Em Todas as Histórias, Vasco Araújo explora os percursos históricos do desenho e a sua utilidade, contruindo-o, todavia, como uma instalação ou escultura. Como refere o curador Pedro Faro, o artista faz uma antologia desta disciplina, “ensaiando conceitos como: Delinear. Relevar. Circunscrever. Arquivo. Memória. Invisível. Transparência. Dispositivo. Incidir. Espaço. Território”. Araújo, não obstante a instalação como suporte final, ao fazer, ainda assim e paradoxalmente, do desenho matéria central, subverte a sua subalternização e eleva-o ao patamar de todas as outras artes. No fundo, sublinha o desenho como um suporte de legítimo valor artístico.

Todas as Histórias inaugura dia 3 de fevereiro na Fundação Carmona e Costa e estende-se até 17 de março.

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