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José Pedro Cortes na Galeria Francisco Fino

José Pedro Cortes inaugura no próximo dia 27 de janeiro a exposição Planta Espelho, na Galeria Francisco Fino, com uma mostra de 25 fotografias que revelam a modernidade e as várias ambivalências que surgem por via de um tempo volátil, sempre cambiante, e de um progresso infinito.

Os grandes temas da fotografia contemporânea estão lá: a paisagem urbana e a paisagem natural, o encontro das duas e as ambiguidades que geram; a arquitetura; as cenas do quotidiano e os pequenos detalhes; os gestos do corpo; os fluxos humanos e motores; o tempo suspenso antes do fim, da meta, da chegada; o devaneio e o olhar indagatório. Neste contexto, a exposição é um registo completo e aturado das grandes temáticas da contemporaneidade, numa visão abrangente e global, em territórios que vão para lá do nacional. No fundo, este é um ensaio visual sobre “o estado das coisas”, como refere o artista, sobre como “o mundo cresce sem a vontade do homem”.

O conceito não foi premeditado. O trabalho acumulado e a leitura posterior das fotografias desveladas é que fomentam um discurso coerente que se tece paulatinamente em diálogos, relações e intuições. Planta Espelho é um exercício de olhar curatorial, que seleciona, que questiona, que sugere e confronta; é, no fundo, um olhar que revela, que “valida a hipótese de as imagens se transformarem em imagens novas”. Ou seja, na acumulação, é este olhar que dita o que é e pode ser imagem.

José Pedro Cortes estabelece uma proximidade com a fotografia que a hipersaturação digital compromete. De certo modo, ensina a ver, a perscrutar as silhuetas, os movimentos, as formas naturais, aparentemente naturais e as formas edificadas por artifício humano. A própria exposição materializa um peso, uma dimensão e uma atmosfera que de outro modo seria difícil aceder.

Há igualmente algo de intuitivo na exposição e nas fotografias. O artista, interpelado com a posição que a intuição joga neste meio, sublinha-o, referindo os dois momentos em que surge: “no lado não planeado”, quando subitamente “a consciência se abre por estar pura e simplesmente a olhar” e surge a necessidade imperiosa de reter esse momento; e depois, no momento da curadoria da exposição, quando há decisões a fazer. Nesta perspetiva, o que dita muitas vezes a escolha de uma obra é um sentimento interior que se suplanta a uma racionalidade; uma incerteza de justificação tíbia que, por vezes, acrescenta tensão e curiosidade e expande a possibilidade de uma visão interna, variável e subjetiva.

Planta Espelho pode ser vista até 1 de março, na Galeria Francisco Fino, Lisboa.

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