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Elena Moreno: sem digerir

Sin digerir é uma coleção que une as duas profissões de Elena Moreno, a de restauradora e a de joalheira. Ambas são orientadas por critérios e normas. Neste caso, rompe muros criando joias que são fruto da experimentação com o material, sendo este o eixo de união profissional. São joias concebidas para trazer uma nova vida a um material que vem de um ser vivo, já que recorre a ossos de egagrópilas. Com estes cria estruturas que formam ninhos donde nascem esses mesmos seres vivos. Assim, encerram-se vários círculos: cadeia trófica, vida e uso. Os ossos falam de reutilização, reciclagem, vida e morte. Questionam o valor do material e buscam uma reação, um desejo à primeira vista e a repulsão para conhecer a sua precedência.

A poética desta obra de Elena Moreno reside na conjugação de fragmentos constituídos por ossos de egagrópilas, associados de modo a formar ninhos ou cestos. Do ponto de vista da recepção, o fragmento retarda a leitura do todo, constituindo-se como elemento que pode ser único mas que, no entanto, se engloba numa peça da qual faz parte integrante.

Em Sin digerir estamos perante obras de arte que nos desafiam a dialogar e interpretar sentidos velados. No entanto, embora a arte se caraterize pela ausência de qualquer função, neste caso existe a função joia, como broches que podem ser usados no corpo. Pretendem dialogar connosco e não adornar o corpo. Estas peças são leves visualmente, assim como do ponto de vista físico. Apresentam um ar monocromático, recorrendo à cor natural dos ossos que, unidos por fio de metal, foram consolidados com técnicas de restauro. Cada peça lembra a palavra oximoro. Os fragmentos são orgânicos, compostos de pequenos ossos que se conjugam em formas geométricas laboriosas e complexas.

Elena Moreno Ribas nasceu em Madrid em 1984. É diplomada em Conservação e Restauro de Bens Culturais pela Escola Superior de Conservación y Restauración de Galicia (2004-2008), especialidade Arqueologia. Ao terminar os seus estudos recebeu uma bolsa do museu Arqueológico Regional da Comunidad de Madrid (2008), através da qual se tornou estudante/trabalhadora na escola/atelier de Restauro Paleontológico de Teruel (2008-2010). Ampliou os seus estudos realizando o Mestrado Universitário em Tecnologias para a proteção do Património Cultural imóvel da Universidade de Vigo (2010-2012). Simultaneamente, em 2011 começou a trabalhar no IPHES, (Institut Catalá de Paleoecologia i Evolució Social), Tarragona (2011-actualidade). Também em Tarragona começou a estudar na Escola de Arte y Design, em primeiro lugar num curso monográfico de cerâmica (2012-2013) e, seguidamente, no Ciclo Superior de Joalharia Artística (2014-2017). Depois de terminar os estudos recebeu o 2º prémio na categoria Artística Júnior do IV Premio Internacional Barcelona de Joalharia  atribuído pela joalharia Tomas Colomer. Expôs o projeto de final de ciclo no Futur Excel·lent 2017 (El Born, Barcelona) e na Joya 2017 em Santa Mónica (Barcelona), onde ganhou o prémio Alchimia Student 2017 e o Enjoia’t em duas categorias: prémio de opinião e o 1º prémio na categoria de estudante. Expôs também  na galeria Basílica no panorama da OffJoya 2017. Recentemente foi selecionada para expor na Schmuck 2018, em Munique.

Ana Campos

Ana Campos nasceu no Porto, Portugal, em 1953. É joalheira e dedica-se, também, à investigação nesta área. No campo do ensino, foi professora de projeto e de teorias da arte e do design da joalharia contemporânea. Até 2013, foi diretora do ramo artes/joalharia e coordenadora da pós-graduação em design de joalharia da ESAD – Escola Superior de Artes e Design, em Matosinhos, Portugal. Tem-se dedicado a curadoria e produção de exposições de joalharia nacionais e internacionais. Licenciou-se em Design de Comunicação na FBAUP. Estudou joalharia no Ar.Co, Lisboa e na Escola Massana, Barcelona, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Realizou uma pós-graduação em Relações Interculturais, pela Universidade Aberta, Porto, que conduziu ao mestrado na área de Antropologia Visual, cuja dissertação se intitula "Cel i Mar: Ramón Puig, actor num novo cenário da joalharia". A orientação foi de José Ribeiro. Atualmente, é doutorada em filosofia na Universidad Autónoma de Barcelona. Terminou o doutoramento em 2014, com orientação de Gerard Vilar. Desenvolveu uma tese intitulada: "La joyería contemporánea como arte: un estudio filosófico".

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