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Greg Fox @ MADEIRADiG

One Man Show

The Gradual Progression é o seu novo álbum. Uma combinação de explorações musicais que se refletiram numa fantástica atuação neste festival tão especial. O frenesim na bateria aliado à tecnologia Sensory Percussion – inventada por Tlacael Esparza – faz a alquimia dos seus concertos. Greg sente uma ânsia de descobrir coisas novas para o seu projeto e vive-o numa pesquisa permanente…

Elsa Gracia – Greg, começaste a tua carreira musical no heavy metal…

Greg Fox – Bem, na realidade não comecei com o heavy metal, mas foi com os Liturgy, uma banda de black metal, que ganhei mais nome no início da minha carreira. Antes disso tive uma banda chamada Teeth Mountain, um projeto mais experimental, bastante popular na altura. Fui também baterista de Dan Deacon, por isso, sim… não comecei com o metal mas representa uma parte importante no início do meu percurso.

EG – Essas experiências foram importantes para o desenvolvimento do teu projeto a solo?

GF – Sempre quis descobrir formas de fazer um projeto a solo gratificante, o que é difícil para um baterista. Tenho alguns amigos e “heróis” cujo trabalho considero fantástico, como Brian Chippendale com o projeto Black Pus, Ryan Sawyer, ou Brian Chase. Existem tantos bateristas com projetos a solo incríveis.

EG – Ou Eli Keszler que tocou há dois anos no MADEIRADiG.

GF – Eli! Sim, também tocámos juntos. Quando tens um baterista a tocar ao vivo é ótimo, certo? Eli é fantástico, um bom amigo e adoro a sua música.

EG – E como decidiste fazer este incrível projeto que envolve a tua bateria e o teu laptop?

GF – Sempre quis descobrir como fazê-lo e aconteceu quando o meu amigo Tlacael Esparza criou o software Sensory Percussion, o sistema que utilizo para controlar o computador através da bateria.

EG – Cada som é controlado pela bateria?

GF – Sim. Tornou-se numa forma de começar a explorar territórios criativos. O meu amigo trouxe-me o sistema para o estúdio e disse “olha, experimenta isto”… e foi assim. Percebi que ele me tinha trazido o que eu tanto procurava. O Sensory Percussion transforma uma bateria acústica num controlador midi muito versátil. Por isso, quando tens a capacidade de o fazer, o céu é o limite. O mais difícil no início foi descobrir alguns limites, mas quando os descobri, dei a volta à arquitetura do que estava a construir e tentei encontrar uma que funcionasse para mim. Descobri uma forma de ser criativo na música. Dentro de limites muito específicos ainda há muito território para explorar. De certa forma ainda estou a trabalhar nesse âmbito, e foi desse trabalho que nasceu o meu último disco The Gradual Progression. Estou a pensar fazer um novo disco com o mesmo tipo de abordagem.

EG – Já foste considerado o melhor baterista de Nova Iorque…

GF – Não sou. Tenho a certeza absoluta que não conhecem todos os bateristas… quer dizer, é de facto um elogio que eu agradeço, mas não sou eu. Existem muito bons bateristas em Nova Iorque. Milford Graves tem  75 anos e é uma lenda. Claro que esse reconhecimento me oferece oportunidades que muito agradeço, mas não sou o melhor baterista de Nova Iorque.

EG – Trabalhas também como curador.

GF – Sim, num espaço em Brooklyn chamado Pioneer Works. Sou o curador musical há cerca de um ano e meio. Mas o meu trabalho já tinha entrado na indústria discográfica quando iniciei esse trabalho.

EG – Vives numa pesquisa permanente?

GF – Estou sempre a ouvir música nova, mas de facto não o sinto como pesquisa, é um prazer. Tenho uma série de álbuns antigos aos quais regresso sempre. Continuo a adorar ouvir Alice Coltrane, ou  John Coltrane, mas também gosto de ouvir Emperor…

EG – Então tens uma grande coleção?

GF – Sim, tecnicamente sim. Acho que sigo um caminho e vão aparecendo coisas interessantes à medida que o vou percorrendo.

EG – Como viveste o MADEIRADiG?

GF – É um festival fantástico e uma combinação rara. Existem muitos festivais por esse mundo fora, mas não são num lugar único como a Madeira. Não é um local muito comum para os músicos virem tocar e isso já é, por si só, algo único e especial. Além disso as pessoas que o promovem fazem-no muito bem, sentes que se preocupam e são muito generosas.

EG – No concerto referiste ter ficado muito impressionado com a qualidade do som.

GF – Sem dúvida! Nunca tinha visto colunas assim e foi absolutamente incrível.

EG – Gostarias de  acrescentar mais alguma coisa?

GF – Diria que: não gosto muito de falar sobre mim e não gosto de todo de falar sobre a minha música, mas fico muito grato pelo facto de as pessoas a valorizarem.

Ver também: MADEIRADig 2017

Nasceu em 1976 e é jornalista desde 1994. Fez diversos cursos de Jornalismo no CENJOR (Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas) e diversos cursos no âmbito da arte contemporânea, sendo o último a Pós Graduação em Curadoria na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É membro fundador e directora da revista Umbigo com a qual desenvolveu um projecto de curadoria. Júri e curadora da exposição de Joalharia Contemporânea "On the Other Hand", comemorativa do 5.º aniversário da PIN (Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea). Ainda para a revista Umbigo fez a edição do livro "Coordenadas do Corpo na Arte Contemporânea", numa recolha que reúne uma série de trabalhos artísticos sendo que muitos deles foram desenvolvidos propositadamente para o mesmo; num conjunto de obras que representam uma pequena amostra das preocupações filosóficas e estéticas de um conjunto de artistas.

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