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Afrobeat tuga ou uma forma de hipnotismo

Começou há dez anos em quartos, salas e garagens da Quinta do Mocho, mas hoje em dia vive em casas como o Musicbox, a ZdB ou mesmo o Lux.

O afrobeat e o kuduro não chegaram agora a Portugal. Nasceram aqui, foram criados aqui e estão a ficar meninos crescidos.

Os dois grandes nomes que nos saltam à memória são a Príncipe Discos, label rainha do afrobeat, e a Enchufada, encetada por Branko, um dos percursores dos Buraka Som Sistema que deram mais voltas ao mundo do que o mundo lhes deu a eles.

Já inventámos o cante alentejano, o fado e agora um novo som para o mundo, inspirado nas raízes africanas, que hoje se cultivam em qualquer lugar, e só temos de nos orgulhar disso.

Desde há sete anos para cá que a Príncipe é anfitriã de festas cheias de suor e dança, onde os seus DJ’s como o grande Marfox, Niggafox e outras raposas nos enfeitiçam em caldeirões que aquecem o peito, a alma, o pé e a anca.

E é ao vivo e a cores, ao sabor do momento, na subida do aquecimento, que muitos dos DJ’s e produtores fazem a música, produzem ao vivo, connosco, como se todos fizéssemos parte da partitura que se faz na planta do pé, e juntos compomos a música. E é este mais um dos fatores que a torna única, singular e irrepetível. Abraça-se o erro e o colega de dança, celebra-se o beat e a mudança. Aquela mudança a que a música nos conduz.

Sim, porque quando falamos em afrobeat falamos em ruptura. Tem vindo a ser uma das alavancas para o progressivo derrubar de muros invisíveis entre o centro e o subúrbio, assim como o hip hop também já foi. Porque é verdade quando dizem que a música nos salva.

Deixámos para trás as cantigas de união de Zeca Afonso e sem voz cantamos também à liberdade e comunhão só com o bater de pé e a batida da percussão.

Quanto à música em si, há poucas maneiras de a descrever. Porque ao Kuduro junta-se a Batida, a Kizomba, o Funaná, o House, o Afro House, a Tarraxinha e outros géneros, filhos de Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

E se se perguntarem quais os instrumentos dos criadores, encontramos não mais do que laptops e softwares como Virtual DJ ou o PCDJ. Instrumentos que falam a mesma língua em qualquer parte do mundo e sons compreendidos desde a Ásia ao Norte da Europa, onde são bastante apreciados. A procura pelos DJ’s aumentou, não só no Reino Unido mas também na Europa, África e América Latina. Nigga Fox deu música no Sónar de Barcelona e no festival polaco Unsound, por exemplo. Já Marfox tem aparecido em eventos em Berlim, Nova Iorque e Rio de Janeiro.

Mambos Levis d’ Outro Mundo, foi o álbum em formato showcase apresentado em 2016 contendo 20 temas de outros tantos produtores como Blacksea Não Maya, Nídia Minaj, Nervoso, Nigga Fox, Alto Nível, Normal Nada, Niagara, Puto Adriano, Maboku ou Puto Márcio.

DJ Lycox foi o último de toda a crew a lançar um álbum, e o single de lançamento pode ouvir-se aqui:

E todos os lançamentos podem ouvir-se aqui.

E como dos bons legados se fazem bons herdeiros, falamos de Pedro Mafama. Chega-nos dos Anjos com o seu Cozido à Lisboeta, depois de lançar 07 PEGA A 12 e COMO ASSIM. Mafama dá-nos Feitiço produzido pelo próprio e misturado por Fraklin Beats. E quando lhe perguntam qual a receita do seu cozido: “Se formos ver o que está dentro do cozido, podemos falar de kizomba, batida lisboeta, kuduro, funk brasileiro, folclore português e fado. Mas o que eu quero é que chegue uma altura em que não consigas dizer qual é o género e, depois, alguém chega e dá-lhe um nome.”

Ora provem aqui:

Para experimentar ao vivo estes cocktails musicais, todos os meses há festa Príncipe no Musicbox, e garantimos que devia ser receita médica.

É mais que terapia, é uma espécie de cura, não só para males sociais como para o corpo. É remédio feroz, cru, alucinante e anti gravítico. É experiência, é mistura e resulta numa descoberta única.

Chamem-lhe o que quiserem, mas uma coisa é certa: é música sem razão, faz-se com o coração.

Tem 24 anos mas acredita que a infância dura a vida inteira. Talvez seja por isso que sonha com filmes do Spielberg e é apaixonada por livros ilustrados e desenhos animados. Nasceu em Sines, mora em Lisboa mas tem um coração tropical que a leva constantemente ao outro lado do atlântico e à cultura latina. Trabalha como copywriter em publicidade e dedica-se à escrita nas horas vagas – e é aí que se vai perdendo, para se encontrar.

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