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GUCCI

Tem 95 anos e ficou mais jovem do que nunca. Pois é! A Gucci recuperou a vitalidade que só Tom Ford lhe soube dar nos 90’s e é a hottest brand do momento.

Porquê?

Sob a direção criativa de Alessandro Michele, a Gucci renasceu. E esta sua nova estética romântica e extravagante teve um impacto que vai muito para além das vendas. Dos brilhos coloridos às gangas de retalhos, do clássico à street wear, a Gucci escolheu a geração que quer vestir: aquela que trocou o blazer pela hoodie, a que trocou o stilletto pelos ténis e que transformou completamente a ideia de formalidade. Mistura-se com os rappers e com os ilustradores, inspira-nos a ser mais desafiantes e surpreende-nos agora com as suas combinações, celebrando a mistura e a diversidade.

Apesar da Gucci Woman se apresentar como jovem, Alessandro Michele vai às gerações anteriores buscar inspiração para os acessórios e para as cores com que pinta quem veste. Gerações essas para quem o ritual de vestir era muito mais do que a combinação de peças. O diretor criativo da marca fez as capas das mais proeminentes publicações de moda com a coleção feminina de Primavera/Verão em 2016 e a partir daí costurou o sucesso que a marca vive hoje em dia. Os seus designs são mais do que peças santificadas: ele encantou celebridades, bloggers, compradores e editores convidando-os a esquecerem as noções anteriores da marca e como consequência disso,o seu trabalho rapidamente escalou das passerelles e revistas para as passadeiras vermelhas e para a rua. Sobretudo, para a rua.

A Gucci soube capitalizar este crescimento usando cada vez mais celebridades como embaixadores da marca e vice versa. No tempo em que vivemos, a marca tornou-se um trampolim digital. Exemplos como Cate Blanchett, Harry Styles, Jared Leto, Nicole Kidman, A$AP Rocky estão entre tanto outros que vestem e investem na marca na perfeição. Silhuetas andrógenas, prints com textura de jóias, são algumas das novas imagens de marca que a Gucci tem vindo a encorporar.

A sua popularidade deve-se também à maneira como nos capta o olhar e a mente. E desenganem-se que isto nada tem a ver com statements políticos. Alessandro faz as suas coleções com o único intuito de divertir e de se divertir. Voltou a introduzir o logotipo da Gucci na roupa porque sabe que é o elemento que vende. Colocou-o em peças e acessórios mais acessíveis exatamente para dar a oportunidade a qualquer comum mortal de vestir a marca sem ter de comprar a alta costura, e orgulhar-se de a poder exibir.

Não é por acaso que vemos mais que nunca, dos 8 aos 80, a icónica t-shirt gritando apenas o nome da marca. Alessandro juntou-se a street artists e ilustradores como a UnskilledWorker ou Trevor “Trouble” Andrew e esta é a prova de que o Michelismo de Alessandro há-se perdurar porque sabe viver o seu tempo, tal como Phoebe Philo revolucionou a Céline, tal como Robson transformou a Vetements e Demna Gvasalia a Balenciaga.“Everyone who ever felt like a weird kid, or too smart to be popular, or totally out of sync with the jocks can wear Gucci and feel like they’re finally cool.” – são tipos de comentários que se lêem na página de Instagram da marca.

E este sentido de integração encontra-se desde o teclado até ao videoclip de Beyoncé, no tema Formation, onde a cantora veste a marca do início ao fim do vídeo. É fascinante esta habilidade que Michele teve para juntar as tendências globais às linhas clássicas, com alguns toques de humor, western, camponês, cinematográfico, gypsy, asiático, teatral e animal, e tudo isto se mistura em looks absurdos mas, mais que absurdos, surpreendentes.

Em conversa com a Vogue, Michele admite que não pensa em termos de moda, mas sim em questões de atitude e é aí que reside o seu sentido estético e o grande desafio para uma marca tão antiga e charmosa como a Gucci.

A Gucci abriu caminho a formas de afirmar a auto-expressão, a identidade de género,e por isso, todas as gerações se sentem agora mais próximas da marca que nos encoraja a sermos vaidosos por nós próprios e não por puro exibicionismo. Michele quer que brinquemos, que cantemos, que nos sintamos num filme colorido de Wes Anderson.

E daqui fica a lição: para de cada vez que se usarmos Gucci ou outra qualquer peça de roupa, devemos lembrar-nos que a liberdade e self-expression são dois acessórios intemporais. E hoje em dia, é isto que nos fica verdadeiramente bem.

Tem 24 anos mas acredita que a infância dura a vida inteira. Talvez seja por isso que sonha com filmes do Spielberg e é apaixonada por livros ilustrados e desenhos animados. Nasceu em Sines, mora em Lisboa mas tem um coração tropical que a leva constantemente ao outro lado do atlântico e à cultura latina. Trabalha como copywriter em publicidade e dedica-se à escrita nas horas vagas – e é aí que se vai perdendo, para se encontrar.

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