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O mundo de John Maus liberta-se em Screen Memories

A espera terminou, John Maus está de volta com o novo álbum Screen Memories. Depois de concluir o doutoramento em Ciências Políticas, o compositor oriundo de Austin, Minnesota, apresenta mais um trabalho perfeitamente alinhado com as sonoridades que o caracterizam. A synth pop de Maus emana nostalgia em cada nota e Screen Memories é, incontornavelmente, um reencontro com as descargas dançantes dos 80’s.

As críticas negativas aos primeiros discos – Songs (2006) e Love Is Real (2007) – não foram suficientes para apagar John Maus do mapa. Pelo contrário, Maus viveu na sombra da pop e elevou-se como ícone do revivalismo post-punk.

Anteriormente, o aclamado We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves (2011) premiou-nos com algumas canções progressivas, nomeadamente Hey Moon e Cop Killer. Screen Memories surge com linhas de baixo bem trabalhadas, carregadas de groove e parceiras dos habituais sintetizadores inquietos. A generalidade dos temas chega através de teclados epiléticos, que erguem e deambulam pela voz reverberante e melancólica de Maus. Contudo, em Sensitive Recollections há tempo para compassos graduais e vocalizações introspetivas.

Nesta tournée, assumiu uma novidade em relação aos discos anteriores, apresenta-se em palco acompanhado por uma banda – baixo, bateria e sintetizadores. Ao vivo a adrenalina multiplica-se, Maus incorpora as canções com uma fisicalidade absolutamente electrizante. O Aquário da Galeria Zé dos Bois envolveu-se no desassossego demoníaco de Maus, a plateia deixou-se contagiar pela sua felicidade e libertação física. O suporte da banda avolumou a intensidade das canções, principalmente das novas Touchdown e The Combine.

John Maus será sempre mais do que um colaborador de Ariel Pink. Será sempre vanguardista da pop. Screen Memories é um disco libertador, pede passos e saltos de dança, pede desordem e descargas de emoção.

João Horta

Estudou audiovisuais no liceu, dali partiu para as histórias contadas nos documentários, e para os universos criados pela ficção. Frequentou um curso de Cinema Documental no Ar.Co, e a licenciatura em Ciências da Comunicação na UAL. Apaixonou-se precocemente pela música e abraçou-a à escrita. Em casa, no lugar da televisão está um gira-discos, porque acredita que as histórias mais bonitas vêm nos discos. É, também, colaborador da página Comunidade Cultura e Arte.