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Uma Luz na moda

Lisboa mostrou as coleções de alguns dos mais sonantes nomes da moda nacional, na 49ª edição da Moda Lisboa. A beleza do Pavilhão Carlos Lopes foi o cenário escolhido para dar visibilidade ao que as marcas de autor e comerciais propõem para a Primavera-Verão de 2018. O público aderiu, misturado de ‘opinion makers’ e agentes de interesse, como jornalistas, produtores, stylists, editores, diretores de publicações especialistas do sector

Uma palavra inicial à organização da ModaLisboa, por continuar a apostar no talento pensado e feito em Portugal, mérito conquistado pelo percurso de mais de duas décadas, fulcral para impulsionar a nossa moda. Independentemente, do facto, de existir ou não um motor oleado na estratégia e implementação de negócio, a verdade é que esta plataforma é necessária quer à cidade quer aos profissionais do setor.

A edição Luz compôs-se de um leque interessante de propostas, algumas mais bem defendidas do que outras. De destacar as coleções de Kolovrat, Valentim Quaresma, Ricardo Preto, David Ferreira, Nuno Gama, Ricardo Andrez, Aleksandar Protic, Eureka, Nair Xavier, Luís Carvalho, Mustra, Olga Noronha e Filipe Faísca. Estes estilistas comprovam que existe talento e esperança para a moda portuguesa, sabendo de antemão que alguns dos trabalhos, acima mencionados, têm qualidade comprovada, existindo outros tantos que já realizaram melhor, ou que ainda não conquistaram os requisitos adequados, quer criativa quer produtivamente falando. Por vezes, a falha reside na fragilidade dos materiais e na própria confeção, limitando o potencial final de projetos que merecem continuar a existir. Sabemos, sem dúvida nenhuma, que o público nacional tem de se aproximar do produto, não sendo mero espetador e passar, também, a ser consumidor. Para potencializar esta aproximação, deve existir um maior orgulho em ostentar, sem agravo, o que é português, vesti-lo, comprá-lo, exibi-lo. Essa aproximação acabará por criar negócio, o aumento desse negócio ajudará a produzir mais e, em alguns casos, a facilitar a agilização de preços, que em muitos casos são o fator de distanciação entre o produto e o consumidor.

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As coleções SS 2018 procuram satisfazer os gostos mais alternativos e os mais tradicionais. A abordagem entre a tradição e as tendências esteve patente, relembrando que o cunho dos estilistas e designers nacionais se demarca da maioria internacional, pela procura de uma originalidade, através da relação entre uma dita modernidade na moda e os motes inspiradores. O ponto de partida da maioria das coleções é o ‘streetwear’ que é trabalhado consoante o conceito e a experiência interpretativa e criativa de cada mentor, das marcas presentes. Por vezes, o que se vê na ‘passerelle’ não é a forma final, mas antes uma sugestão de uma das muitas formas de vestir ou calçar. A quem assiste a um desfile, recomenda-se sempre um distanciamento, serão poucos os que vão adotar fielmente o que viram. A beleza e o sucesso de cada desfile, passa pelo sucesso de profissionais que estão nos bastidores e são eles os maquilhadores e os cabeleireiros. As propostas de SS 2018 de maquilhagem internacionais estiveram bem patentes nos vários desfiles. “Ouvir o que o designer ou o estilista pretende, é fundamental, no entanto, existe sempre uma palavra de sugestão, quando percebemos que podemos ajudar a aperfeiçoar a ideia inicial. A verdade, é que existem sempre soluções, existem sempre conversas, reuniões, e ao longo dos anos promoveu-se uma sinergia entre todos, fulcral. O público começa a perceber que os desfiles que são apresentados integram todos os ingredientes que as tendências internacionais sugerem”, explica à Revista Umbigo, Antónia Rosa, responsável pela equipa de maquilhagem da ModaLisboa.

À semelhança das edições passadas, o espaço Wonder Room, marcou presença com várias marcas de distintos segmentos, promovendo, uma vez mais, ideias de valor e diferenciadoras: Fluo Bags, Ironia, Carolina Curado, Alfamarama, Antiga Barbearia de Bairro, Boon, Le Mot, Vera Manzoni, Selva, Joana Ribeiro Joalharia, entre outras.

A 50ª edição acontece em Março de 2018, com as propostas para o Outono-Inverno.

José Rui Pardal Pina (n. 1988) cresceu em Campo Maior e estudou no agrupamento de Artes em Elvas. Obteve o grau de mestre em arquitetura pelo I.S.T. em 2012. Terminou o estágio de admissão à ordem e o estágio profissional no atelier António Barreiros Ferreira – Tetractys Arquitectos. Em 2016 ingressou na Pós-graduação em Curadoria de Arte na FCSH-UNL e começou a colaborar na revista Umbigo. Interessa-se por arte, cinema, política, literatura, moda, arquitetura, decoração…

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