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Experimenta Design

A Bienal Experimenta Design, que tanto nos habituou à sua presença em Lisboa, com todos os eventos que lhe são caraterísticos, como as conferências, a presença de figuras internacionais de vulto, as exposições, as conhecidas tangenciais, que se espalham um pouco por toda a cidade, vai terminar este ano no final de setembro, e deixar-nos um vazio de grande dimensão.

A Associação Experimenta, da qual Guta Moura Guedes é presidente, anunciou o fim da Bienal em maio, e informou que a mesma, por ser a última, irá ter um “formato especial”. Ao todo foram 18 edições, e a bienal de 2017, que representa o fim deste ciclo, vai assumir um caráter retrospetivo.

Guta Moura Guedes explicou à Umbigo que, apesar de se extinguir a Bienal, as iniciativas ligadas ao design não vão deixar de existir, sendo que a associação “experimentadesign vai continuar a desenvolver projetos na área cultural e de serviço público, reforçando a sua tónica de intervenção social. Alguns deles claramente na área do design, outros mais transversais”.

Como Lisboa se habituou a esta ligação com os acontecimentos internacionais de design, e a ver-se como uma capital de referência, passaram-se quase vinte anos, foi, a pouco e pouco, construindo uma identidade de design. Agora que finda a Bienal, a questão que se coloca é como assegurar, na capital, essa ligação com os acontecimentos de referência. A essa questão Guta Moura Guedes, responde: “A experimentadesign mantém-se sediada em Lisboa, o Museu do Design também. Existem várias formas de nos mantermos ligados aos grandes acontecimentos internacionais que não passam necessariamente por termos uma bienal ou trienal de design. Todos os formatos estão a ser revisitados, atravessamos momentos de mudança. Do nosso lado, iremos continuar a produzir projetos com um caráter internacional nesta e noutras áreas. E muitos outros protagonistas sediados em Lisboa o farão também. Lisboa sempre me pareceu uma plataforma aberta, uma página com espaços em branco, um sitio de enorme recetividade e de enorme poder de projeção, um sítio pertencente a todo o mundo. Esse perfil cosmopolita é-lhe muito próprio e ninguém lho tira. Estou certa de que não faltarão na capital portuguesa acontecimentos de relevância mundial em muitas áreas de conhecimento, onde, estou certa também, o design terá um papel preponderante. Cá estaremos para continuar a contribuir para que isso aconteça”.

Por esse motivo, a EXD’17 (Bienal Experimenta de 2017), Before & Beyond, vai relembrar edições anteriores, e aproveitar os temas dessas edições para uma reflexão sobre o presente e o futuro. Segundo a associação experimenta, o passado da bienal é visto como “fonte de questionamento e conhecimento e base sólida para os fundamentos de um futuro mais arrojado e até disruptivo”.

Serão revisitados, desse modo, nove temas abordados nas nove edições anteriores, tendo por base o questionamento e a reflexão dos temas da contemporaneidade.

A bienal EXD’17 vai começar dia 30 de setembro, primeiro com as Conferências de Lisboa, que terão lugar no Grande Auditório do CCB. O grupo de conferencistas convidados compreendem figuras de relevo, sendo que estarão presentes os seguintes nomes: o pensador Arjun Appadurai; o designer gráfico Stefan Sagmeister; o ideólogo da revista Monocle, Tyler Brûlé; o neurocientista Miguel Nicolelis; a crítica de design Alice Rawsthorn; o arquitecto português, Eduardo Souto de Moura, e o designer Philippe Starck.

O dia de abertura será, também, marcado pelo lançamento retrospetivo do livro LIVRO EXD 99/17, no Auditório Nacional do Museu dos Coches. A edição aborda 10 edições da Experimenta, dedicadas à reflexão sobre o design, em Portugal e no estrangeiro. Como refere a associação: A EXD’ 17 “consolida e celebra um valioso legado cultural que contou com as contribuições de centenas de protagonistas prestigiados, das mais variadas áreas criativas e do conhecimento”.

O evento conta ainda com a inauguração, na Galeria do Museu Nacional dos Coches, da exposição Drawing in Stone, que, em parceria com a Assimagra, vai apresentar desenhos, de 23 autores, de génese manual ou digital, pensados para serem aplicados na pedra portuguesa, e no âmbito do programa experimental Primeira Pedra. A exposição conta com a participação dos seguintes autores, de diferentes origens e nacionalidades: Álvaro Siza, Amanda Levete, Bijoy Jain, Carrilho da Graça, ELEMENTAL, Mia Hägg, Paulo David, Souto de Moura, Studio Mk27, Vladimir Djurovic, Ian Anderson, Jonathan Barnbrook, Jorge Silva, Pedro Falcão, Peter Saville, Sagmeister & Walsh, Claudia Moreira Salles, Estudio Campana, Fernando Brízio, Jasper Morrison, Michael Anastassiades, Miguel Vieira Baptista e a dupla Ronan & Erwan Bouroullec.

O dia de abertura da Bienal EXD’ 17 culmina com a Performance videomapping das obras INSIDE e THE ILLUSTRATED MAN, na Praça do Museu dos Coches.

Carla Carbone nasceu em Lisboa, 1971. Estudou Desenho no Ar.co e Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Completou o Mestrado em Ensino das Artes Visuais. Escreve sobre Design desde 1999, primeiro no Semanário O Independente, depois em edições como o Anuário de Design, revista arq.a, DIF, Parq. Algumas participações em edições como a FRAME, Diário Digital, Wrongwrong, e na coleção de designers portugueses, editada pelo jornal Público. Colaborou com ilustrações para o Fanzine Flanzine e revista Gerador. (fotografia: Eurico Lino Vale)

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