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Estudo Cromático para o Azul de Marcio Vilela

Inaugura hoje (14 de setembro) às 19h no Espaço Camões da Livraria Sá da Costa a exposição Estudo Cromático para o Azul de Marcio Vilela. A exposição organizada pela Ocupart irá permanecer até ao dia de 13 de outubro.

Aqui fica uma conversa entre Catarina Boieiro e o artista Marcio Vilela.

Catarina BoieiroEstudo Cromático Para o Azul — o teu projeto artístico sobre as variações do azul do céu —, mistura vários tipos de imagens e técnicas. Como foi o teu processo criativo ao longo deste período?

Marcio Vilela – Este projeto inicia-se com uma simples questão: Quais os possíveis tons de azul do céu entre o nível do mar e o espaço? Esta pergunta, esta possibilidade de estudo de cor, desencadeia todo o processo criativo da pesquisa. Para responder a esta questão eu precisaria de alguma forma de atravessar a camada atmosférica em direção ao espaço, assim poderia presenciar um escurecimento gradual do tom e azul do céu, até chegar ao negro. Na impossibilidade de estar presente nesta viagem, enviei algumas câmaras num balão meteorológico em direção ao espaço. Estas trouxeram de volta os dados que foram utilizados na realização deste projeto.

CA – Nesta exposição apresentas um projeto de longa duração, iniciado há cinco anos. Trabalhas sempre com este tipo de ritmo? E que influência tem este método para os teus projetos?

MV – Sim, geralmente os meus projetos têm um tempo de execução longo. Para mim é muito importante ter tempo para experimentar e analisar os resultados. Durante estes cinco anos estive centrado em toda a logística para efetuar este lançamento, que só foi possível graças a uma colaboração com os investigadores do projeto BALUA. Tive bastante tempo para analisar as imagens recolhidas e principalmente para experimentar as possibilidades para a cor azul dentro do projeto. Às vezes é preciso ter tempo para colocar o projeto de lado e voltar à pesquisa meses depois. O longo prazo de execução permite cometer erros, voltar atrás e repensar a estratégia. Permite analisar tudo com mais distância e ter um entendimento global do que estou a fazer. Para mim o processo criativo é tão importante quanto a obra, este processo acaba sempre por aparecer de alguma forma no trabalho final.

CA – Foi em fotografia que te formaste e é neste campo que se situa a maior parte do teu trabalho. Desafias e questionas os seus limites (por exemplo quando desenhas a partir de fotografias, ou quando utilizas um balão meteorológico para fotografar). No teu trabalho não importa apenas fabricar imagens, mas também refletir sobre o que é e o que pode ser a fotografia?

MV – Não, honestamente não estou interessado em questionar os limites da fotografia. Há momentos em que o que pretendo fazer simplesmente não cabe dentro do meio fotográfico, por isso recorro ao desenho, ao vídeo e até mesmo à pintura. Muitas coisas influenciam meu processo criativo, a arte, a ciência, a música, as viagens. Eu tento trazer estas experiências para a minha prática artística. Gosto de não me restringir e de ser tão livre quanto possível para experimentar.

CA – Sei que neste momento estás a trabalhar no projeto Satellites…

MV – Sim, dá seguimento à minha tese de mestrado. É um projeto bastante ambicioso, que vai requerer a maior logística e tempo de execução até hoje. Já trabalho nele há três anos e sinto que ainda não cheguei a metade do caminho…, tem sido uma grande aventura.

De segunda a sexta, das 12h às 19h na Praça Luís de Camões, nº22 – 4º Dto.

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