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Bons Sons 2017

Fotografias: Ricardo Dias.

São dias bonitos, aqueles que se vivem em Cem Soldos, entre 11 e 14 de agosto.

Nunca tinha lá ido.

Mas mal cheguei à aldeia, no primeiro dia do festival, deviam ser umas 7h e tal da tarde. A luz estava naturalmente doce, rosada… como as bochechas de tantas pessoas que por ali já se riam alto. Mais alto que as casas em volta, que como todas as casas das aldeias, são baixas, rasteirinhas.. à nossa medida, dos humanos. São terra-a-terra. O festival também é assim. Caseiro, humano, mais fácil de se estar. E por isso é mais especial do que os outros grandes festivais. O Bons Sons sabe ao quente de agosto, que sobe à medida que o sol está posto. Cheira a tardes longas e juro que se estivesse ao pé do mar se chamava boas ondas.

Tem luzinhas penduradas que iluminam as esquinas e um Coreto encarnado que serve de palco à entrada. Tem o Largo que se alarga ali no meio, cabem lá dois palcos e cheios! Uma Igreja, das antigas, que agora tem da missa mais castiça. Serve de palco e de mesa para ouvir a Música Portuguesa a Gostar dela Própria. No final daquela rua, no Quintal Aleluia comem-se pataniscas de vegetais e migas de fazer chorar por mais! Depois também temos as Farturas à Pina, a Garagem da vizinha e o Armazém para viajar mais além, no ecrã das curtas metragens. Ah, e as janelas! Já vos falei das janelas? A vista privilegiada da Tia Maria para aquela festa que se vai fazendo de dia. E os Jogos do Hélder, que à tarde nos distraem dos 40 graus à sombra, em mesas de paus e montras. Daqueles jogos para se jogar com pessoas de verdade, sem teclados e botões e virtual realidade.

Ainda não falei da música, pois não? É da melhor, feita cá na nossa terra. Sim, a gente diverte-se muito com a música feita por cá, em Portugal. Foram os Capitão Fausto a (en)cantar moços e moças com as baladas d’Os Dias Contados, o Filipe Sambado, mais o Filipe Valentim vieram com os Band’Olim tocar no altar, mais os Singularlugar. Os Mão Morta que voltaram a bater à nossa porta para homenagear os 25 anos de Mutantes e os Throes + The Shine que levantaram pó, pés e poeira, mesmo em frente ao palco Eira, ali perto de casa da avó.

A gente ali não se cansa. A gente ali conversa com a gente. Vai à barragem à tarde, volta com a criançada que não quer perder pitada e vamos ter com os amigos para mais uma rodada. Vê-se uma senhora com ar desconfiada…foram os Sonoscopia que montaram uma maquineta, mesmo ali no Tarde ao Sol, para todos experimentarem o som da sineta. E lá por volta das 10h da noite, já vestimos uma malhinha, não se vá a gente constipar… que o frio chega à nossa beira e o vento já assobia à entrada do palco Eira. Entre o palco Lopes Graça, vamos até Vénus e Marte, onde fica a obra de arte, que José Cid escreveu. Acertam no ouvido em cheio, ali durante um bocado, os Orelha Negra, que tomam conta do recado. Ainda a noite vai a meio temos no corpo e na anca, temos na alma e na jinga a vontade de dançar com os da Firma do Txiga.

No último dia, quando a gente já quase é dali também..vem aquela nostalgia assim de mansinho. Vem cantada pelo Lobo, Valter. E mais tarde pelo Leão, Rodrigo a orquestrar com cuidado, este nosso coração.

Ainda não apresentei a Dona Maria José?! Ai, cabeça a minha, pois é! Até dançou com os Octa Push, e os Octa Push com ela. Foi um fartote do belo. Foi um festival bonito… daquele do mais verdadeiro, dos 8 aos 80 anos, tudo a misturar as idade e a viver Bons Sons por inteiro!

Tem 24 anos mas acredita que a infância dura a vida inteira. Talvez seja por isso que sonha com filmes do Spielberg e é apaixonada por livros ilustrados e desenhos animados. Nasceu em Sines, mora em Lisboa mas tem um coração tropical que a leva constantemente ao outro lado do atlântico e à cultura latina. Trabalha como copywriter em publicidade e dedica-se à escrita nas horas vagas – e é aí que se vai perdendo, para se encontrar.

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