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Exposição A Lisboa que teria sido

Os Bastidores de Lisboa Abertos ao Público

Lisboa está na moda: tem cada vez mais visitantes, prémios e distinções internacionais, que a elegem como um dos melhores destinos europeus. No entanto, já no século XVI, a cidade era admirada pelos seus visitantes pela “beleza da sua geografia e a animação da beira Tejo”, mas faltava-lhe “monumentalidade arquitetónica”. É com estas palavras que se faz a introdução à exposição A Lisboa que teria sido, patente no Pavilhão Preto do Palácio Pimenta/Museu de Lisboa. Comissariada por António Miranda e Raquel Henriques da Silva, mostra uma Lisboa que se tentou “grandiosa”.

As cerca de 200 peças contam a história de uma cidade imaginada através do diálogo entre arquitetura e engenharia. São apresentados projetos desde o século XVI até à atualidade, parte do Arquivo Municipal de Lisboa e de coleções privadas, e que mostram uma parcela dos bastidores de Lisboa. A exposição apoia-se num trabalho de investigação rigoroso, ancorada nas várias peças encontradas, mas também em recortes de jornais da época, atravessando desta forma a história da cidade, recontando-a. Assentam-se naquilo que fica após séculos de mudanças: os planos que não vingaram, caducaram ou deixaram de fazer sentido. A escala, muitas vezes desajustada (ou não), promove a monumentalidade (tão) desejada.

A exposição foca-se em temas que foram e continuam a ser objeto de estudo e análise, tais como a frente ribeirinha (desde o Campo das Cebolas até Alcântara), a Avenida da Liberdade, Restauradores, Praça do Rossio, Martim Moniz, entre outros locais que são pontos de referência da cidade. Mostram também outros tantos projetos que poderiam ter mudado por completo a paisagem da cidade: os vários planos para a realização da ponte sobre o Tejo, atual ponte 25 de Abril; projetos onde se pretendia modernizar a cidade através da multiplicação das circulações, assente numa arquitetura em ferro; a Reconversão urbana do estaleiro da Mangueira, que promovia uma nova articulação da margem sul com o resto da cidade de Lisboa, do atelier Contemporânea (MGD + EJV); entre outros.

É descoberta uma outra Lisboa, que os comissários da exposição nos apresentam, e que revela a velocidade com que a cidade se obriga a modificar, onde os temas tratados atravessam séculos. É a procura de uma imagem de modernidade e de monumentalidade a constante, perpetuando-se apenas em papel.

Exposição A Lisboa que teria sido – Museu de Lisboa/Palácio Pimenta – Pavilhão Preto – até 25 de junho de 2017 – Entrada €3

Lisboa (1989). Licenciada em Estudos de Arquitectura (2012) e Mestrado em Arquitectura (2015), ambos pela Universidade Autónoma de Lisboa. Pós-graduação em Curadoria de Arte (2017) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Desenvolve actividade como arquitecta, num atelier em Lisboa.

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