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Newborn: novos talentos no design de joalharia portuguesa

A AORP – Associação de Ourivesaria e Joalharia Portuguesa – está de parabéns! Ao longo da última década, tem vindo a apoiar progressivamente a emersão deste setor de um sono prolongado, durante o qual subsistiam tradições enraizadas que se dirigiam ao mercado interno. Para a AORP a joalharia faz-se com amor. Não há fronteiras no apoio a ourives e joalheiros mais tradicionais, ao design e à joalharia artística. Tratando-se agora de internacionalizar, há muito divulga e incentiva a participação em feiras internacionais. Recentemente, elaborou uma campanha publicitária internacional sobre a joalharia portuguesa, cujo centro foi a atriz e modelo Milla Jovovich. Aposta, cada dia com mais força, na divulgação internacional de jovens designers, tal como se confirmou em setembro de 2016 na PortoJóia, Exponor, onde montou um stand que denominou Portuguese Jewellery Newborn.

Aí participaram a Allis Jewellery, Ana João, Ana Pina, Bellisgirl, Cecília Ribeiro, Iglezia, Inês Costa Araújo, Liliana Alves, Luciana Guerreiro, Mater Jewellery Tales, MMUTT, Minha Joia Atelier, Romeu Bettencourt, Sofia Tregueira, Sopro e Susana Teixeira. Este grupo de 16 designers confirma um mistério que alastrou pelo mundo ocidental atual, sem que ninguém o saiba explicar. Quase todas são mulheres. Vieram substituir a via tradicional que era masculina.

Não mostram apenas as suas obras fisicamente, em feiras, galerias ou lojas. Também se ocupam dos seus sites e de meios de comunicação digital afins, da imagem pública que nos oferecem de si mesmos e das empresas, incluindo fotografias, logótipos de cada marca e embalagens. Vários vendem online. Quanto à comunicação, a língua inglesa está a tornar-se uma dominante que vai alastrando como via para a internacionalização. O português está presente também, pois não escondem as raízes.

Vivemos num mundo miscigenado. Tal como escrevi na secção de joalharia da Umbigo online a propósito de Susana Teixeira, a maioria destes criativos são designers–artesãos. Elaboram o design das suas próprias peças e executam-nas. Outros, como por exemplo a Allis Jewellery, apoiam-se em software e em tecnologias de prototipagem 3D, não deixando por isto de fazer acabamentos manuais próprios da joalharia.

A Mater Jewellery Tales é uma startup incubada na ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. Em certas peças, foi buscar inspiração ao Porto de Leixões e à calçada portuguesa. Ana Pina, da Tincal Lab, como outros designers de joalharia nossos contemporâneos, é arquiteta. Várias das suas peças, como são exemplo os anéis, podem ser usados em conjunto. A MMUTT surpreende-nos com o design de peças que lembram arquitetura pós-moderna. As pedras, longo tempo abandonadas pelos jovens designers, voltam em força, como por exemplo com Inês Costa Araújo. Novos materiais como a borracha e polímeros variados, assim como nov as tecnologias associam-se ao ouro e à prata. Romeu Bettencourt recorre ao ouro e à prata mas, em algumas das suas peças, como as do seu projeto Trough Colours, apoia-se em acabamentos de superfície da Gradouro, Universidade do Minho.

Torna-se notório que novos designers – estes 16 e outros mais – estão a emergir e a salientar-se no campo de joalharia. Focam mercados nacionais e internacionais. Representam, como pretende a AORP, uma necessária renovação criativa do setor, como também incrementam income económico para Portugal, através deste setor.

Ana Campos nasceu no Porto, Portugal, em 1953. É joalheira e dedica-se, também, à investigação nesta área. No campo do ensino, foi professora de projeto e de teorias da arte e do design da joalharia contemporânea. Até 2013, foi diretora do ramo artes/joalharia e coordenadora da pós-graduação em design de joalharia da ESAD – Escola Superior de Artes e Design, em Matosinhos, Portugal. Tem-se dedicado a curadoria e produção de exposições de joalharia nacionais e internacionais. Licenciou-se em Design de Comunicação na FBAUP. Estudou joalharia no Ar.Co, Lisboa e na Escola Massana, Barcelona, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Realizou uma pós-graduação em Relações Interculturais, pela Universidade Aberta, Porto, que conduziu ao mestrado na área de Antropologia Visual, cuja dissertação se intitula "Cel i Mar: Ramón Puig, actor num novo cenário da joalharia". A orientação foi de José Ribeiro. Atualmente, é doutorada em filosofia na Universidad Autónoma de Barcelona. Terminou o doutoramento em 2014, com orientação de Gerard Vilar. Desenvolveu uma tese intitulada: "La joyería contemporánea como arte: un estudio filosófico".

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